
Na semana passada, em uma reunião com um empreendedor que conduz um projeto relevante, ouvi dele algo que me marcou: “Não entendo nada de funding, só sei que preciso de capital para continuar.”
Essa frase resume uma realidade que vejo com frequência. Muitos empreendedores estão à frente de bons projetos, mas esbarram em um obstáculo simples e ao mesmo tempo decisivo: não conhecer as alternativas de funding, nem como acessá-las. O resultado é perda de tempo, de oportunidades e, em alguns casos, até do próprio projeto.
Foi a partir dessa percepção que decidi criar o Funding Insights. Meu objetivo é traduzir o tema de forma clara, prática e estratégica. Quero mostrar como o crédito pode deixar de ser apenas um custo a mais na conta e se tornar uma verdadeira alavanca de crescimento.
A cada edição, vou trazer três elementos complementares: uma notícia de mercado que ajude a entender o momento, um conceito educacional explicado de forma prática e algumas reflexões estratégicas sobre como isso se conecta ao acesso a capital. A ideia é que você acompanhe tanto o que está acontecendo agora quanto os fundamentos que sustentam boas decisões de funding.
Funding não é um produto pronto de prateleira. É um desenho estratégico que exige preparação, clareza de objetivos e escolha correta de parceiros. E quanto antes o empreendedor entende isso, melhores são as condições que ele consegue negociar. Quem se prepara capta melhor, no timing certo, com custos adequados e em estruturas que sustentam a evolução do negócio.
Para tangibilizar essa ideia de ampliar o conhecimento, nesta primeira semana escolhi explicar um dos instrumentos mais usados no mercado: a antecipação de recebíveis. Funciona assim: uma empresa que vende a prazo, mas precisa de caixa imediato, pode ceder esses recebíveis (parcelas, boletos, contratos) a um investidor ou instituição financeira, com desconto.
No mercado imobiliário, é comum quando o loteador (que financia o próprio cliente, em prazos mais longos) vende diretamente ao cliente e depois antecipa parte dessa carteira. Com isso, ele transforma fluxos futuros em liquidez imediata. Em caso de empreendimentos performados (prontos), a antecipação pode sair com livre destinação, garantindo caixa para futuros empreendimentos, compra de landbank ou o que o empreendedor necessitar. Caso ainda haja obra a executar, os recebíveis serão destinados ao término da obra.
Esse é apenas um exemplo de como funding não é “dinheiro fácil”, mas estrutura pensada para o ciclo do projeto.
Essas reflexões sobre funding ganham ainda mais força diante da notícia da última semana: o Banco Central anunciou que o novo modelo de financiamento imobiliário não terá ruptura brusca e a transição deve levar até dez anos.
Ou seja, o crédito para pessoa física deve ganhar liquidez de forma gradual, mas o incorporador não pode depender apenas disso. O caminho é buscar soluções próprias de capital que garantam ritmo às obras e previsibilidade ao fluxo de caixa.
Essa é a primeira edição do Funding Insights. Obrigada por acompanhar esse começo. Minha intenção é abrir essa conversa e trazer clareza para um tema que muitas vezes parece distante. Se fizer sentido, compartilhe com alguém que também busca entender melhor o caminho do funding.
Até a próxima semana,

Levando educação. Criando um novo mercado.
